Dr. Genésio partiu em caravana Euclidiana

 

 

Rosani Abou Adal

 

 

Jornalista, historiador, tradutor e colaborador do Linguagem Viva  Genésio Cândido Pereira Filho faleceu, aos 99 anos, no dia 17 de outubro, em São Paulo.
Desde a fundação do jornal sempre enviou exemplares para amigos, entidades e escritores. Foi na edição nº 41, janeiro de 1993, ano IV, que publicou o primeiro anúncio do seu escritório no indicador profissional. Foram veiculadas 288 publicações, ininterruptas de apoio, até a edição nº 329, janeiro de 2016.
Na edição nº 46, junho de 1993, ano IV, foi publicado o primeiro artigo de sua autoria intitulado “Até a resistência de um Deus sucumbe à crueldade dos homens” (Considerações sobre uma obra rara de Menotti Del Picchia).
Seu último trabalho publicado no jornal foi “Haicai, poesia de estação”, edição nº 324, agosto de 2016, Ano XXVI.
 Nasceu em 25 de agosto de 1920 em São Bento do Sapucaí (SP). Filho do escritor e Juiz do Tribunal de Alçada do Estado de São Paulo Genésio Cândido Pereira e de Rodolfina Marcondes Pereira. Sobrinho de Plinio Salgado, primo de Ribeiro Couto e de Eugênia Sereno - esposa de Mario Graciotti.
Casou-se, em 1953, com a advogada Maria  Aparecida Homem Pereira com quem teve os filhos Paulo e Mônica, dois netos e dois bisnetos.
Iniciou estudos em Mococa e depois em Jaboticabal. Diplomou-se em Ciências Jurídicas e Sociais,em 1946, na Universidade de São Paulo. Trabalhou como Procurador Federal, Assistente da Procuradoria Regional de São Paulo, Procurador Regional de Implantação do Amazonas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, Promotor Público Substituto no Estado de São Paulo na Capital e Santos. Foi assistente do professor José Loureiro Júnior no Seminário de Direito Constitucional.
 O Diário de Jaboticabal, da família Junqueira de Ribeirão Preto, foi o primeiro jornal que dirigiu. Ocupou o cargo de Diretor das revistas Cultura de Jaboticabal, da Arcádia da Academia de Letras da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, do mensário Mensagem e do programa cultural Hora da Arte, da Rádio Clube de Jaboticabal, em que fazia leitura de poesias. Trabalhou nas rádios PRA-7 de Ribeirão Preto e da PRG-4 de Jaboticabal. Exerceu a função de editor responsável da Imprensa Paulista da Associação Paulista de Imprensa. Colaborou nos jornais Gazeta, O Combate, Democrata, Diário de Notícias, Universal, Ilustração Paulista, Diário de Jaboticabal, O Estado de São Paulo, entre outros importantes veículos do Brasil, Argentina, Colômbia e Portugal.
Foi proprietário da Editorial Guanunby Ltda.,  da Gráfica Tibiriçá - a primeira a usar linotipo - e da Livraria Lealdade Ltda., localizada na esquina da Rua Boa Vista, com a Ladeira Porto Geral, em São Paulo, que teve como proprietário Aluysio Fagundes. Editou livros escolares, de sua autoria e de outros autores.
Publicou obras nos gêneros ensaio, crítica, Filosofia Política, Direito Penal, roteiro de viagem, memorial e Direito. Autor de Um tema e três obras (ensaio sobre o plágio, 1942, Edição Panorama), O Eterno e o Efêmero (filosofia política, 1950, Edições GRD), Rui Barbosa para a Juventude (Guanunby, 1950), O Estrangeiro e a Liberdade Política (Direito Penal, Revista dos Tribunais, 1955), Festival da Neve em Bariloche (Roteiro de viagem aos Lagos do Sul, Grupo de Estudos Euclides da Cunha, 1956), Menotti Del Picchia: Uma Obra Rara - A propósito de - O Drama do Calvário (Editoração, 1993), Código de Ética do Estudante (Editorial Guanunby, 1950), Código Civil Brasileiro (Editora Atlas, 1979), entre outras obras importantes.
Dentre as traduções, Madame Bovary (Flaubert, 1955, Edições Melhoramentos), No mundo encantado do arco-íris (Roger Dal, 1957, Edições Melhoramentos), A Passionata (Kurt Pahlen, 1992, Edições Melhoramentos). Traduziu meu poema Fertilidade para o francês. A versão francesa foi publicada no jornal e no meu site.
Participou de congressos, encontros, simpósios, reuniões, proferiu conferências, ministrou cursos e prefaciou livros.
Ocupou os cargos de Tesoureiro e 1º Secretário da Academia Cristã de Letras, 2º Tesoureiro da Academia de Letras de Campos do Jordão, Secretário da  Associação Brasileira de Cultura, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Estudos Plínio Salgado, Diretor e 1º Vice-Presidente da  Associação Paulista de Imprensa e de Presidente e 2º Secretário do Centro de Estudos Euclides da Cunha.
Foi  Conselheiro da União Brasileira de Escritores, do Clube dos Bibliófilos e do Instituto Paulista de Direito Agrário. Membro Honorário da Academia de Letras da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, empossado no dia 10 de março de 1945, com a presença de Alceu Amoroso Lima.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Academia Paulistana da História, Unión Cultural Americana - Buenos Aires/Argentina, Ordem dos Velhos Jornalistas, Sociedade Brasileira de Filosofia, Centro de Cultura de Aceburgo, Academia Anapolitana de Filosofia, Ciências e Letras, Academia Pindamonhangabense de Letras, Literatura e Ensino, entre outras entidades.
Viajou, fotografou a Antártica e recebeu diploma de Explorador Del Continente Helado da Base Chilena na  Antártica Teniente Marsh e Ladeco e Línea Aérea Del Cobre S.A., em 12 de outubro de 1984. Suas fotos foram publicadas, na edição nº 311, com os poemas Antártica e Pinguim de minha autoria.
Agraciado com o Colar do Centenário, comemorativo do centenário do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1994; Diploma de Honra ao Mérito da Ordem dos Velhos Jornalistas, em 1991; Láurea de Reconhecimento pelo culto perene ao Direito, à Liberdade e à Justiça, da OAB-SP; Medalha D. Pedro II e diploma do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em comemoração ao centenário de D. Pedro II, em 1994, entre outros destacados prêmios.
Agripino Grieco, Almeida Magahães, Cecília Meireles, Elias Domit, Francisco Marins, Manuel Pereira do Vale, Menotti Del Picchia, Roger Bastide, Francisco Patti, Miguel de Oiacán, Mário Graciotti, Hely Lopes Meirelles, Basileu Garcia, Antonio Ferreira Cesarino Júnior, Homero Dantas, José Galvão de Souza, Freitas Nobre, entre outros críticos teceram elogiosos comentários sobre sua obra.
Conheci Genésio Cândido Pereira Filho, em 1987, quando frequentava as reuniões do Centro de Estudos Euclides da Cunha que eram realizadas em seu escritório na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 300 - 6º  andar, em São Paulo.
Ficarão para sempre na lembrança as saudosas caravanas para a Semana Euclidiana, em São José do Rio Pardo, com Adriano Nogueira, Henrique Novak, Zara de Escobar e Genésio Pereira Filho.

 

Rosani Abou Adal

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