Alípio Rocha Marcelino  e  um brinde à Pessoa

 

 

 

Rosani Abou Adal

 

 

 

Conheci Alípio Rocha Marcelino na antiga sede da União Brasileira de Escritores, à Rua 24 de maio n.º 255, em 1987. Toda quarta-feira, dia em que os escritores se reuniam no bar da entidade, Alípio marcava presença para rever os amigos, bater um bom papo, tomar uma cervejiha ou fazer algum agito cultural. Participou das atividades da entidade, das festas de Natal, prestigiou lançamentos de livros e exposições de artes plásticas.

 Exerceu o cargo de Diretor do Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa e da União Brasileira de Escritores. Participou como mesário em várias eleições para eleger nova diretoria ou para votação do Prêmio Intelectual do Ano – Troféu Juca Pato.

Escritor, jornalista, tradutor de inglês, francês e espanhol, estudioso da obra de Ferreira de Castro, editor, entre outras qualidades. Foi editor juntamente com a Lourdes Di Túlio da Lume Editora e Distribuidora, onde  lançaram diversos títulos inclusive o Párias e Marajás de sua autoria. Colaborou em diversos jornais e revistas do Brasil e de Portugal, entre eles a revista Raízes Lusíadas, O Escritor da UBE e Linguagem Viva que edito com Adriano Nogueira há dez anos. Foi um grande divulgador da literatura portuguesa, sempre atento às efemérides literárias. Sempre tinha em mãos  exemplares de jornais portugueses ou dos que colaborava para oferecer aos amigos.

Estreou na literatura em 1972 com o romance Muralhas de Barro. Depois seguiram: Bandeira no Céu, ensaios, crônicas e artigos, 1881; Anuário das Artes, 4 vols., edição em co-autoria com a Associação Paulista de Críticos e Artes, 1975/77/78/79; Metamorfose Vivida (História de uma Infância), novela, 1986; Quixotes e Faraós, novela, 1987; Párias & Marajás, novela, 1989 e Ferreira de Castro e o Brasil, ensaio biobibliográfico, 1995. Traduções: História das Lutas Políticas e Sociais na França: da Revolução aos nossos dias (do original francês de Paul Luís), 1984; A Arte do Dramaturgo por J. B. Priestley (do original inglês “The Art of Dramatist), 1984; Direitos Humanos e Necessidades Básicas nas Américas (edição do “Woodstock Theological Center e Georgetown University”  - Washington – DC (do original norte-americano “Human Rights and Basic needs in the Americas”), 1985. Participou de várias antologias de poesias e contos. Antologias de Contos:  Contos de Fim de Século, Várias Faces da Morte, O Buquê e o Sonho  e  Contos de Desencontros, todos publicados pela Editora Lume.

Deixou inédito: Inês de Castro, drama em versos, 3 atos; Marta, Namorada do Brasil, novela;  Presença do Teatro: do Acervo à Estética e Teoria, ensaio; Calabar, drama em 2 atos; e Ferreira de Castro: Vida e Obra, ensaio.

Um ser humano que nunca soube dizer não,  estava sempre disposto a ajudar e fazia com muita satisfação. Num fim-de-semana, em que estava fechando una edição do jornal, desesperada porque  a impressora estava quebrada, então, o amigo Alípio me ligou e  se prontificou para ajudar. Disse-me que eu poderia buscar a sua impressora e o micro que acabara de comprar. Sempre foi um grande amigo, mas isto ultrapassou as minhas expectativas do quão era  fiel. Toda vez que me lembro desse fato fico comovida com a sua solidariedade

A última vez que me encontrei com o amigo Alípio foi no almoço do Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa, em junho deste ano. O prato que saboreamos foi uma dobradinha à moda Fernando Pessoa. Ele estava bem como sempre, feliz em companhia de sua esposa Irany.

A notícia de seu falecimento veio quando estava fechando a edição especial dos 10 anos de Linguagem Viva, em setembro. Infelizmente não pude me despedir do amigo. Na minha lembrança fica o último encontro, o seu sorriso quando brindamos  por Fernando Pessoa.

 

Rosani Abou Adal

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